Ponha a boca no trombone, peça ajuda, exponha-se, mostre-se!!!

Imagine que essa atitude pode ajudar quem tenta se matar pois a cada 3 segundos, isso mesmo, 3 segundos, alguém está tentando se matar!!

E o mais interessante é que a causa é evitável, pois a grande maioria é de pessoas portadoras de alguma patologia psiquiátrica.

O estresse, o grande vilão dos dias atuais que gera tanta doença, como diabetes, hipertensão e a depressão precisa ser percebido o quanto antes. Sintomas como alteração do sono, cansaço, dificuldade de concentração e de realizar as atividades antes concluídas facilmente, irritação, perda de prazer, queda de cabelo, dores no corpo, coceiras, resfriados de repetição (alteração imunidade), alteração do hábito alimentar e do ritmo intestinal são os mais frequentes sinais do estresse. A fronteira da depressão com o estresse é muito tênue, e os sintomas depressivos começam geralmente de forma leve, vão ocupando a vida da pessoa aos poucos, o prazer pelas atividades e coisas habituais começa a reduzir, a perder sentido gradualmente e o repertório de vida também reduz, ou seja, menos lazer, menos atividade física, menos eventos sociais até a instalação do processo depressivo. E o mais interessante é que nós seres humanos deste século temos uma informação oculta de que sempre precisamos dar o máximo, sermos seres de alta performance: social, financeira, sexual, comercial, trabalhista. Aí notamos que não é possível tal condição, sempre falharemos em algum aspecto e isso nos torna lindamente humanos. Mas tal falha geralmente é uma das questões que geram estresse, pois estamos cegamente correndo atrás de resultados que amanhã já serão sem significado, ou seja, batemos uma meta para percebermos que logo virá uma meta maior.

A ideia do suicídio surge nesse panorama do psiquismo já adoecido como uma saída para tanta exigência e pressão. A soma entre toda sensação de fracasso e impotência, de que não há mais jeito, a conceituação intima de que o externo é impossível de ser resolvido (não tem jeito) e a falta de energia psíquica para “dar a volta por cima” acarreta essa “solução” que, na maioria das vezes, é a busca de alívio, alento para esse tsunami de emoções e sensações horríveis que invadem o psiquismo humano.

Uma das questões para prevenir e solucionar é descobrir nossa identidade de fato, não apenas nome e endereço mas precisamos perceber o que gostamos e o que não gostamos, o que podemos e o que não podemos, descobrir qual nossa real vocação e correr atrás dela pois, aí sim o uso de energia será produtivo tanto para nosso psiquismo quanto para nosso corpo.

É melhor desistir inúmeras vezes de empregos, relações e atividades que nos fazem mal que mergulhar numa realidade adoecedora  e certamente caminhar  para o mundo da doença, seja física ou mental e ainda correr o risco de começar a sentir que colocar fim à própria vida seja melhor que  viver os momentos únicos que estão à nossa disposição, basta ter sabedoria para degusta-los.

Por fim, peça ajuda!

Grite, chore, exponha, ponha a “boca no trombone” e fale de sua dor, de sua angustia até que soluções saudáveis surjam.

 

Artigo escrito pelo Dr. Pedro Leopoldo de Araújo Ortiz

Médico Psiquiatra – Clínica Mente Saudável